Ultima atualização em 24 de Julho de 2026 às 11:55
No período de 6 a 16 de julho de 2026, a aldeia Ipaupixuna, no Planalto Santareno, recebeu a Jornada Formativa Munduruku e Apiaká, uma das ações do projeto de extensão Reavivamento e fortalecimento da língua e da cultura Munduruku no Baixo Rio Tapajós, coordenado pela Profa. Dra. Denize de Souza Carneiro e pelo Prof. Dr. Zair Henrique Santos, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

A Jornada reuniu professores, gestores, pedagogos, caciques, anciãos, jovens e lideranças dos povos Munduruku e Apiaká em torno de duas oficinas formativas. A primeira, “Matriz Curricular Munduruku e Apiaká: a ancestralidade como teçume central”, foi conduzida pela Profa. Dra. Romy Guimarães Cabral (UEA). A segunda, “Materiais didáticos interculturais como estratégia de fortalecimento cultural”, foi conduzida pela Profa. Dra. Rita Floramar Fernandes dos Santos (UFAM).

Para o gestor da Escola Wapurũm-Tip, Elias Morais da Silva, a Jornada teve um valor que vai além das oficinas: “Esse encontro nos aproximou como território. Somos um único povo e as escolas precisam caminhar juntas”. O Cacique Josenildo Munduruku, coordenador do Conselho Indígena do Planalto (CIP), reforçou o sentido coletivo da experiência: “A formação abriu em nós reflexões que precisamos fazer sobre a educação escolar indígena que queremos para o nosso território.”
A liderança Apiaká Arlinson Costa de Oliveira destacou o caráter político da participação: “Quem está dentro do movimento, da saúde ou da educação indígena, tem que abraçar a causa. Não podemos voltar para a aldeia e achar que ficou por isso mesmo.” Já o professor Bruno K. Menezes de Lima, da aldeia Ipaupixuna, resumiu o espírito da Jornada com um dos ditados populares norteadores de um dos materiais didáticos: “Uma andorinha só não faz verão”, reforçando a união dos educadores e comunitários do território.
Como resultado, os participantes iniciaram a construção das Matrizes Curriculares Munduruku e Apiaká e produziram seis materiais didáticos interculturais - livros, abecedários e livros de atividades - elaborados a partir dos ditados populares e dos saberes tradicionais de cada comunidade, destinados à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.

A Jornada foi articulada pelo Conselho Indígena do Planalto (CIP), pelos coordenadores do projeto e contou com o apoio da Secretaria Municipal de Educação de Santarém (SEMED), e foi viabilizada por emenda parlamentar da Deputada Federal Viviane da Costa Reis (Vivi Reis), que destinou os recursos que financiaram as ações do projeto.