Ultima atualização em 30 de Março de 2026 às 14:32
A JORNADA PEDAGÓGICA INDÍGENA MUNDURUKU 2026 reúne professores e lideranças para discutir educação, identidade e fortalecimento da língua
Entre os dias 25 e 27 de março de 2026, foi realizada, na aldeia Karapanatuba, no município de Jacareacanga (PA), a Jornada Pedagógica Indígena Munduruku 2026, com o tema “Resultados na Educação Munduruku: compromisso docente com qualidade e identidade”. O evento foi promovido pela Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto de Jacareacanga (SEMECD), sob a gestão da secretária Luziane Nogueira Pereira, reunindo professores indígenas, lideranças e membros das comunidades do território Munduruku.
A programação contou com momentos de formação, troca de experiências e reflexão sobre os desafios e perspectivas da educação escolar indígena, com foco na valorização da identidade cultural e no fortalecimento da língua Munduruku no contexto escolar e comunitário.
No dia 26 de março, pela manhã, a jornada contou com a atividade formativa “Línguas indígenas no Brasil: situação atual, desafios e estratégias de fortalecimento”, ministrada pela linguista Denize de Souza Carneiro, professora do Instituto de Formação Interdisciplinar e Intercultural (IFII) da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).
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Durante a atividade, foram apresentados dados sobre a diversidade linguística indígena no Brasil, os principais desafios enfrentados pelas línguas originárias e possíveis estratégias de fortalecimento etnolinguístico nas escolas e comunidades. O encontro também promoveu momentos de diálogo com os professores Munduruku, incentivando a construção coletiva de propostas voltadas à valorização da língua e ao desenvolvimento de práticas de letramento bilíngue, articulando o ensino da língua Munduruku e do português.
Como culminância da programação dedicada às línguas indígenas, foi realizada uma manifestação de valorização da língua Munduruku. Após a palestra, a linguista lançou aos professores um desafio: que expressassem, por meio da palavra, uma manifestação de amor e valorização à sua língua. A partir dessa proposta, surgiram poemas e músicas compostos pelos próprios participantes. Entre as apresentações, destacou-se uma canção que emocionou o público presente e que foi descrita como uma espécie de oração coletiva: “Que nossa língua nunca se cale.”

A jornada pedagógica reafirmou o papel fundamental dos professores indígenas como protagonistas na preservação e no fortalecimento da língua e da cultura de seus povos, contribuindo para uma educação comprometida com a qualidade, a identidade e a continuidade dos saberes tradicionais.